The consequence - 01
n/a 1: muitas coisas nessa história não fazem sentido, mesmo não sendo obrigada a fazer já que é uma história inventada, mas é bom deixar avisado.

01.
O carro parou cantando pneu na beira da estrada, Connor demorou um tempo pra lembrar onde tinha parado depois porque agora ele só conseguia ver luzes azuis e vermelhas girando.
Ele passou com dificuldade entre os populares e caiu de joelhos no circulo central. Ele deu um tapa na mão de um dos policiais que tentaram o impedir de se aproximar, o homem tentou argumentar mas nada que Connor fosse se lembrar porque o sangue zumbia em seu ouvido, ele só conseguiu pensar na criatura de curtos cabelos tingidos de vermelho e rosto mais palido do que o normal. Sua mão parecia brilhar de tão clara em contato com a blusa preta e o liquido quase da cor de seu cabelo que escorria de algum lugar entre sua costas e seu peito.
Connor tentou falar mas tinha certeza de que se tentasse soltaria um soluço e choraria como uma criança, quando a garota tocou seu rosto ele deixou as lágrimas lavarem suas mãos.
Ela sorriu.
- Você demorou.
- Quem fez isso?
Ela olhou pra céu.
- Do que importa agora?
- O que importa? Você levou um tiro!
- Ah, então é isso - ela brincou e deu um sorriso fraco.
- Como você pode brincar numa hora dessas?
- Você me conhece, eu só quero que você sorria. Vamos, faça isso por mim.
Connor tentou e ela riu mas parou como se aquilo a machucasse.
- Chega, eu vou imaginar - ela fechou os olhos - bem melhor.
- Eu te amo.
- Eu te amo... me honre e fique pelo menos uma semana sem ficar com outra menina certo?
Connor sorriu fraco, a voz engasgada enquanto as lágrimas escorriam.
- Você é uma idiota, eu não vou te trair enquanto você estiver no hospital - mas as palavras soaram ilusórias até pra ele.
Ele juntou seus lábios ao dela, não em um beijo, apenas em uma forma de mostrar que ela sempre estaria com ele.
Os médicos chegaram e a levantaram da maca, Connor se levantou ainda segurando a mão dela o máximo que pode. Ele queria se mostrar forte, nem que seja pela ultima vez, ser o cara que Alice tinha se apaixonado.
Então as portas da ambulância se fecharam e ele finalmente pode cair no chão.

Quando Connor acordou Alice sorria pra ele. O quadro parecia ser mil quilos quando ele o abaixou.
O celular de Andrew estava colado no porta do espelho do guarda-roupa. Andrew o havia buscado há duas noites atrás quando ele não conseguia nem enxergar direito já que as lágrimas não paravam e as mãos trêmulas e o nervosismo só iriam leva-lo a dar de cara com um muro.
- Droga Andrew - ele disse sem expressão e se surpreendeu com sua voz. Parecia que ele não falava há um mês e estivesse numa das piores gripes.
Quando focou seu reflexo ele estava palido, em volta dos olhos havia manchas escuras e o branco dos olhos estavam cheios de linhas vermelhas, escondendo o castanho que Alice adorava.
Ele viu que a mão lhe tinha deixado um terno em cima da mesa do computador. Ele não sabia nem como nem quando ela tinha entrado, esteve em estado de estupor por um dia inteiro.
Então é hoje, pensou levantando a roupa da mesa.

Ele não penteou os cabelos castanhos e rebeldes, só vestiu a camisa, as calças e os sapatos e por um pedido de sua mãe ele a deixou dar um nó na gravata. Ele não queria discussões mesmo achando que ninguém daria a mínima pra o que ele usava.
O cemitério estava cheio de pessoas da escola. Alguns vinham e lhe davam tapinhas nas costas, outros davam um sorriso fraco que ele retribuia com um aceno mecânico, outros apenas olhavam entre ele e o caixão.
Ele, Andrew e Melissa ficaram sentados próximos a porta, Andrew e Melissa foram ver o corpo de Alice e agora o garoto afagava Melisse enquanto ela entrava em desespero. Connor queria poder fazer alguma coisa por todas aquelas pessoas, dizer que tudo ia ficar bem, que não tinha motivos, mas nem ele acreditava nisso. Ele queria que alguém dissesse isso pra ele. Ele não levantou nem um minuto desde que chegou até sair da sala para tentar pensar. Quando levantou desviou o olhar do caixão, ele odiava velórios e prometeu que não a olharia pra não ter que olhar pra não lembrar dela daquele jeito. Mais branca sem suas bochechas naturalmente rosadas, imóvel sem seu sorriso de Mona Lisa, rodiada de flores que ela era alérgica...Connor caiu no gramado e abraçou as pernas.
- Droga Alice, onde você se meteu?
Ele começou a arrancar a grama a seu redor. Ele estava sozinho e podia sofrer como queria, não iria buscar consolo em um corpo. Ela não estava mais lá, ela nunca esteve.
Ele olhou pro céu.
- Que diabos! Era pra você ter me ligado! Pra eu ter ido com você! E que merda você fazia naquele lugar?
Ele acabou deitando na grama, as lágrimas caindo nos ouvidos. Se Alice estivesse ali ela diria pra ele parar de ser ridículo. Não. Ela daria risada e gritaria alguma coisa idiota pra ele não se sentir idiota sozinho. Ela nunca deixava ele se sentir sozinho, mas e agora? Quem ligaria pra ele no meio da noite? Que iria continuar os planos de viver em Nova York de pizza e sorvete? Quem o levaria pra shows de bandas tão ruins que ele só ia pra ele poder ouvir a voz dela cantando junto? Ninguém. Não como ela fazia.
pelo menos uma semana sem ficar com outra menina.
Como se fosse possível ele esquecer dela em uma semana, ela levaria uma vida pra ser esquecida.
Ele suspirou por ter esgotado as lágrimas novamente e virou a cabeça. Há uns 3 metros de distancia ele viu uma garota em um vestido preto que parecia mais ser da mãe dela do que de uma adolecente. O cabelo mal amarrado o fez lembrar quem era. Ele não lembrava o nome mas sabia que ele tinha alguma aula com ela nas segundas ou terças. Ele se sentou e quando ela percebeu que ele a olhava ela levou a mão a boca como se pra abafar algum barulho e correu.
Ele não lembrava de te-la visto andando por ai com Alice pra sair naquele desespero, mas ele não lembrava de metade dos alunos que tinham nesse velório.

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