II
Eu gostava de acreditar que eu tinha fobia social porque nesses cinco minutos que Emma entrou para pegar sua bolsa ou coisa assim a mesa de pedra no pátio da escola parecia tão interessante.
Eu olhava em volta. A maioria dos alunos que não tiveram aula no 2º tempo estavam sentados em grupos embaixo das arvores conversando animadamente sobre as férias. A maioria das garotas usavam shorts ou bermudas e estavam esparramadas na grama. Deus, obrigada pelo verão e escola que não tinha regras de vestimenta.
Eu também agradeço por Emma não estar aqui, se não ela já teria me batido e me censurado bem alto pelo olhar indevido para as pernas de Elizabeth.
Bom, Elizabeth era um caso não tão complicado na minha vida que eu preferia evitar o quanto eu pudesse. Mesmo enquanto ela ria mexendo na franja e direcionava aqueles grandes olhos castanhos para outros garotos.
- Sabe o que é uma droga? - perguntei ao sentir Emma se sentar ao meu lado.
- Você não ter coragem de falar com a Elizabe... - ela respondeu jogando a mochila violentamente na mesa mexendo organizando seus pertences.
- Não - a interrompi - eu ia dizer que ter amigos um ano mais velhos que você só é legal até você estar no 2º ano.
Ela desistiu da bolsa e olhou em volta. Agora eramos só eu, ela e os colegas dela. Não que eu fosse um monstro que se escondia sempre que alguém sorria pra mim, eu só não tinha a facilidade de Emma, até hoje eu nem sei como somos amigos.
Então Emma sorriu afetada como ontem no carro.
- Essa é a oportunidade perfeita! - ela buscou o papel no bolso da calça - Item 3, fazer amizade com quem nunca falamos antes. Você tem 40 minutos até a próxima aula - Emma sorriu e se levantou levando a mochila embaixo do braço.
- Emma! - chamei e ela me olhou receosa - O que...aconteceu ai?
- A mochila? - ela olhou o objeto - Arrebentou a alça, excesso de peso, eu acho - e deu ombros voltando a andar.
Eu ia perguntar um longo "Como?" já que ainda era o segundo dia de aula e eu só tinha um caderno e um estojo na mochila, mas Emma era do tipo que teria uma casa cheia de souvenirs, enfeites de louça e presentinhos da loja de 1,99.
E enquanto eu chegava nessa conclusão idiota eu pude ouvir um longo "Oi" de Emma atrás de mim. Olhei o celular, ok, tenho mais trinta e cinco minutos, que a procura comece AGORA.

Eu nunca me esqueci de uma aula de sociologia que tivemos no 2º semestre do ano passado (Eu não gostava de filosofia e nem sociologia pela matéria mas você tem que admitir que a maioria dos professores são gênios) que o professor disse que quando não conhecemos ninguém a primeira coisa que fazemos é olhar ao redor e ver com quem temos algo em comum que possa render uma conversa não-tão-forçada.
Ou alguma coisa assim.
Eu passei os olhos pelos grupos, eles já pareciam completos sem mim. Até eu ver na 5ª mesa a direita, Clarie Lewis. Diziam que de inteligente ela só tinha o sobrenome (tipo C.S. Lewis, eu nunca li As Crônicas de Nárnia, mas os filmes eram bons.) mas ela tinha um caderno aberto e uma cara de duvida e qual era minha melhor qualidade? Diziam que eu sabia ensinar as pessoas.
Enquanto eu andava até ela eu passei pela sala da diretoria, do lado de fora ela tinha um vidro preto e com a claridade eu pude me ver nele. Eu não era loiro e gostoso com Emma. Com gostoso eu quero dizer não esquelética e nem gorda, apenas saudavel, como minha mãe diria. Eu me peguei procurando por Emma na multidão e eu adorava sua postura despreocupada e de como ela abaixava a cabeça pra rir e como sua voz subia quando ela ficava sem graça.
Eu era só mais um cara que acordava e jogava o cabelo castanho pra cima, no que algumas garotas chamavam de bagunçado de propósito e eu de preguiça em levantar os braços. Que tinha um estoque de hoodies e camisas de flanela, que usava a mesma calça por até 5 dias e óculos pra ler. Ah, e que se sente muito narcisista se descrevendo.
Mais cinco minutos a menos.
Eu me sentei a frente de Clarie e soltei um "hey" que durou aproximadamente 1 segundo. Ela respondeu com um outro estendido. Vamos lá revistas da Emma que eu lia quando não tinha nada pra fazer, o que isso quer dizer?
- Então, parece que você esta tendo dificuldade com... alguma coisa - eu comentei estendendo o olhar para o caderno dela. Era hora de deixar meu interesse sexual pra outra hora que não envolvesse um desafio proposto por Emma sem ela nem saber. Ou ela sabia?
- Um pouco, é que ano passado eu fui ótima em matemática porque eu queria impressionar um garoto, e esse ano minha mãe me inscreveu em matemática avançada, acho que ela achou que isso poderia ser a luz no fim do túnel sabe? - ela sorriu triste.
Minha mãe não decidia minhas aulas desde...nunca. Mas Clarie parecia meio abalada pela idéia.
- E agora você quer impressionar ela?
- Claro! A unica reunião minha que ela veio foi a do ano passado porque o Sr. Riley ligou pra ela pra falar da minha mudança. E também ia calar a boca de muitos idiotas.
- Claro - eu me aproximei mais dela escorregando pelo banco gelado de pedra - Bom, eu acho que duas cabeças pensam melhor que uma.
Ela levantou os braços para prender o longo cabelo castanho deixando seus peitos comprimidos por uma regata branca bem a mostra.
- Você até que não é tão esquisito quanto eu pensava - ela sorriu me olhando de cima a baixo.
- Obrigada, eu acho. Er... Você tem alguma calculadora? Eu sou péssimo em contas.
- Claro! - ela se abaixou para pegar abrir a bolsa e isso fez a renda se seu sutiã aparecer. Quando ela percebeu que eu estava reparando ela apenas riu. Sabe, a Emma podia ser assim as vezes.
- Eu só tenho no celular. Aproveita pra deixar seu número.
- Com certeza! Quer dizer, se eu conseguir entender sobre matemática avançada e você tiver alguma duvida...
- Isso, agora, vamos começar?

- Acho que não é tão difícil assim - comentei enquanto Clarie fechava o caderno.
- Não quando você é o professor - ela respondeu mais próxima do que eu lembrava - A gente pode marcar de estudar mais vezes.
- Oi Clarie! - Emma segurou firme meu ombro - Eu vou ter que roubar o Andrew, agora nós temos que ir pra aula de Filosofia e vamos estudar Blaise Pascal! Não é excitante?
- Acho que sim - Clarie respondeu.
- É, agora, vamos Andy? - Emma sorria de um jeito estranho pra mim.
- A gente se fala depois Clarie - joguei minha mochila nos ombros e levantei.
Eu acompanhei Emma até a escola em silencio.
- Aquilo foi rude - admiti.
- Tá bom, e se aproximar de uma menina pra trocar uma explicação por um boquete não é rude.
- O QUE?
- Não, acho que não, porque você não deve ter sido o primeiro.
- Então, você fazendo amizade com o Peter, qual foi? Piadas por cigarros? Aé! Você não consegue - e fiz um som de vomito.
Ela parou de andar e virou bruscamente, eu quase esbarrei nela. Não que esse fosse o melhor lugar pra discutir. Em frente a sala da nossa próxima aula, ao lado direito tínhamos a entrada da secretário, do lado esquerdo tínhamos alguns dos troféus da escola em um armário de vidro, ao nosso redor vários alunos trocando de sala.
- Como você é idiota Andrew!
- Como você é...preconceituosa! - ela me olhou incrédula por um instante - É, você nem conhece a Clarie direito.
- E você deve conhece-la muito bem.
- Eu ainda não entendo porque estamos discutindo.
- Porque eu nunca deveria ter te envolvido nos meus planos!
- Não mesmo. Agora você vê como essa idéia é idiota?
Ela balançou a mão no ar e entrou na sala.
O corredor já estava quase vazio, mas se eu entrasse eu seria capaz de jogar uma carteira em alguém.
- Senhor Litz! Você e a senhorita Arch aqui dentro agora! - convocou a Sr. Anderson aparecendo na porta da secretária.
Então eu fiz a unica coisa racional que eu podia, eu soquei o armário dos troféus.
- Andy - Emma disse baixo aparecendo na porta - AH MEU DEUS ANDREW!
E ela me empurrou pra dentro da secretária enquanto minha calça ia sendo tingida por vermelho.

A ultima vez que eu estive na diretoria foi há quatro anos, quando eu entrei na escola e eles continuavam com a mesma parede verde vomito.
Emma estava sentada do meu lado, e suas mãos não paravam e ela lutava contra um sorriso, talvez ela estivesse lembrando da mesma coisa que eu.
Eu conheci a Emma na diretoria quando ela entrou arrastada por uma professora ao lado de uma menina com o cabelo embaraçado do lado esquerdo. Emma tinha perdido a paciência e não satisfeita em ter colado chiclete no cabelo da "coleguinha" ainda bagunçou ele ali. Ela se sentou ao meu lado com os cabelos castanhos avermelhados bagunçados e me olhou, meu pai tinha arrepiado todo meu cabelo em um moicano estranho como o de um cara que ele viu em uma revista pra eu me sentir mais "confiante" no primeiro dia, eu me sentia ridículo com ele e uma garota me olhando.
- Seu cabelo é legal - ela comentou.
- Você vai colar chiclete nele?
Ela riu e eu ainda acho que deveria ter ignorado ela.
E aqui estávamos nós de novo, os mesmos olhos arrependidos me olhando.
- Eu sinto muito - Emma sussurrou.
Eu continuei fitando o sangue se espalhar pela toalha enrolada no meu braço até a Sra. Anderson chamou.
- Sua mãe chegou Andrew, vamos logo.
Eu joguei a mochila no ombro do braço inteiro e andei pelo corredor enquanto a Sra. Anderson me apressava.

Por fim, eu levei cinco pontos na mão próximo ao dedinho e alguns band-aids espalhados pelos pequenos cortes no meu braço.
- Isso tem a ver com a Emma? - minha perguntou enquanto fazia uma curva para entrar na nossa rua.
- Um pouco, indiretamente.
- Essa menina vai acabar te matando! Sabe, eu gosto dela, mas ela é imprevisível. Você merece uma garota mais calma como... A Liz! É, ela nunca mais veio em casa, vocês eram tão bonitinhos juntos... - ela parou o carro e eu desci dizendo que estava apertado.
Se eu não estivesse tendo que evitar "movimentos bruscos" eu teria pulado com o carro em movimento.
  1. Surpreender alguém todos os dias
  2. Fazer amizade com alguém que nunca falou.
  3. Se reconciliar com um amigo.
  4. Pedir pizza na intervalo.
  5. Fujir da escola na aula de Ed. Fisica.
  6. Comer comida japonesa.
  7. Ficar o dia todo sem celular.
  8. Ajudar na decoração de algum evento da escola. 
  9. Ir ao karaokê
  10. Assistir um jogo da escola. 
  11. Ficar bêbado com os amigos.
  12. Dormir no gramado do campo de futebol. 
  13. Dormir nos braços de alguém.
  14. Assistir de o show de uma banda desconhecida, britânica e em Nova York.
  15. Beijar um amigo. 
random
- Você quer conversar sobre isso? - Andrew perguntou quando ela se aconchegava em seu peito.
- Não, eu falo com a Aldra amanhã - ela suspirou.
- Certo... - ele olhou ao redor, evitando olha-la, sem nem saber o porque.
- Mas - ela começou levantando a cabeça, Andrew instantaneamente a olhou - Só por saber que você ainda dorme de pijamas, meu humor já melhorou - ela sorriu e puxou a ponta da camiseta de Andrew - Listras?
- Desculpa se os outros garotos com que você já passou a noite te esperavam de calça jeans e uma camiseta hipster - Andrew brincou.
- Eu nunca dormi com nenhum garoto - ela respondeu voltando a encostar a cabeça no peito de Andrew, dormindo logo em seguida.
Andrew ficou imovel por alguns segundo. O que ela tinha acabado de dizer pra ele? Ela confessou que nunca tinha dormido com nenhum garoto. Quer dizer, ela nunca dormiu com nenhum garoto.
De todas as garotas que Andrew conhecia, Emma era a unica que ele não podia afirmar com certeza se era virgem ou não. Ela nunca comentou nada mas, era tão segura de si.
Ele olhou seu rosto sereno, e afastou uma mecha de cabelo do mesmo. Ela ameaçou acordar quando ele tocou em uma espinha perto de sua orelha. E isso o fez sorrir mais ainda.
Ela não era perfeita.
E não foi por ter visto uma espinha em seu rosto, mas porque ela parecia tão intocada e vulnerável agora deitada em seus braços. E ela não era perfeita por isso, porque ela era real.


- Isso é totalmente contra os meus principios Andrew - Aldra andava de braços cruzados se protegendo do frio da manhã, o vento brincava com as folhas e o sol brilhava mas o vento era gelado demais para sua pela embaixo de uma simples camiseta - Mas ela disse que foi ela quem terminou.
Andrew arqueou as sombrancelhas e quando Aldra o olhou, ele gesticulou pra que ela continuasse falando.
- Ela disse que ele estava deixando de fazer coisas por causa dela e ela por causa dele. Que ela não conseguia mais conviver com aquela desconfiança das duas partes - Aldra exitou um pouco e arrumou a alça da mochila desconfortavel - Parece que ele pediu uma prova do que ela sentiu por ele e ela desistiu no meio do caminho.
Andrew serrou os punhos e disse entre os dentes.
- Desgraçado. Eu preciso...
Aldra avançou o passo e parou na frente dele.
- Não, você não precisa de nada, você nem sabe dessa história.
FORGET ABOUT IT
You know, there are some days when I really feel like this could work,
Like, you and I are finally gonna get it right.
Then there are days like today,
When you make me wannao tear my fucking hair out.


FORGET ABOUT IT - ALL TIME LOW

- Entre no carro Andrew - Emma mandou tão rapido quanto saiu e voltou pra dentro do carro.
Andrew não a reconheceu de vista mas não conseguiria confundir aquela voz. Ele achou estranho ela em sua porta as 7 da manhã, mas lembrou que era o primeiro dia de aula novamente e era normal ela dar carona pra ele.
Sua voz parecia urgente mas ela sorria quando ele se sentou no banco ao seu lado.
- Você...está loira? - foi a unica frase que ele conseguiu montar.
- Você sabia que isso ia acontecer, cedo ou tarde - ela olhou para a estrada e ligou o carro.
Eles não se viam há 2 meses, quando Emma foi passar as férias com o pai na Austrália. Era o primeiro dia do ano letivo, ela estava mais animada do que o normal e loira, ela estava aprontando alguma e isso envolvia Andrew de algum jeito.
Ele confirmou sua suspeitas quando ela desviou da rota da escola e saiu em uma estrada pouco movimentada.
Passados 10 minutos ela era deserta e cheia de pó. Indo de cara pra um desfiladeiro, Emma ia rapido.
- O que? Você vai matar a gente? - Andrew perguntou divertido já se segurando.
Emma parou bruscamente. Ela era a melhor motorista de 17 anos que nenhum policial deveria conhecer.
Ela saiu do carro, mesmo sem ser mandado Andrew a seguiu e ambos se sentaram na capota olhando o deserto do Arizona.
- Ultimo ano, quem diria que nós iríamos conseguir - ela comentou.
- Nossas mães.
- Você é muito sem graça - ela disse dando um soco leve no braço do garoto.
- E você esta loira.
- Sério?
- E com o cabelo mais curto. O que o Jeremy achou disso?
- E você virou gay? Daqui a pouco vai comentar sobre minhas roupas, unhas... E que se foda o Jeremy.
- Vocês ter...
- Não! Nem diga isso - ela o repreendeu.
- Tudo bem, eu só queria saber porque estamos aqui.
- Se você não me interromper com comentários sobre o meu cabelo...
- Só pra terminar...Eu gostei.
- Você podia ter dito isso no começo.
Mas antes que algum som pudesse sair da boca de Andrew, Emma levantou a mão.
- Nós já estamos no ultimo ano e só 30% das minhas expectativas para o colegial se realizaram. Como exemplo; ter um carro, um namorado e uma melhor amigo, bom 25% já que você não é gay. Mas nós temos 200 dias letivos pra fazer isso ficar 100%.
- E você quer me envolver nisso porque...
- Sua vida é uma droga - Emma exclamou mais alto do que deveria.
- Obrigada.
- Nada pessoal. Mas qual é a grande história que você fez quando era adolescente que vai deixar escapar pros seus filhos de 16 anos no jantar de natal quando estiver meio bêbado?
Um riso saiu pelo nariz de Andrew, isso o fez lembrar do primeiro e único ano que ele passou na casa do pai de Emma.
- Não lembre do meu pai, mas de você - mas ela também estava segurando o riso.
- Tudo bem, qual é o plano?
Emma tirou um papel amassado do bolso da calça e o abriu.
- Seguir essa lista que eu faço desde o 1º ano. Uma coisa por dia.
- Certo - Andrew tentou pegar mas a garota afastou o papel.
- Item numero 15, surpreender uma pessoa todos os dias. Parabéns - Emma sorriu travessa.
- Então eu vou ser sua cobaia - concluiu.
Ela riu dando a volta no carro e abrindo o porta malas. Quando Andrew a alcançou ele viu algumas garrafas de cerveja em baixo de um pano.
- Nós já bebebos. E várias vezes.
- Mas nunca ficamos bebados de verdade - ela passou uma garrafa para Andrew.
- Você quer ficar bebada comigo em uma estrada que só você sabe o caminho de volta pra cidade as 7:30 da manhã?
- Touché - ela pegou uma garrafa e fechou a porta - Vamos só brindar o melhor ano de nossa vidas?
- Ou não.
- Andrew como você é inconveniente.
Ela riu enquanto os dois brindaram encostados no carro.
- E se a gente ir embora em 15 minutos a gente ainda pega a segunda aula.
Emma apenas riu.

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From first to last
Sabe o que os filmes americanos ensinam? Além de ser popular não importa, o amor vence todas as barreiras e blá blá blá? A mensagem real deles é NÃO SE META EM PROBLEMAS. Um príncipe encantado não vai descer do cavalo branco e te salvar quando você estiver enrascada, na verdade ele vai te lançar um olhar que vai lhe arrancar o coração e ir embora. Então, siga meu conselho, se você acha que sua vida é um droga e parada, não tente complica-la porque sua vida não é dirigida por John Hughes.

Quando dizem que o amor esta de baixo de seu nariz, eles estão errados, na verdade ele está no andar de baixo. Mas talvez eu esteja adiantada demais, então vamos voltar pra quando tudo começou e isso foi a mais ou menos...

120 dias antes.
Eram nove da manhã em uma sexta feira e a empresa estava mais agitada do que nunca. Eu já trabalhava aqui há 1 mês e alguns dias, eu entrei na faculdade há alguns meses e precisei de um emprego melhor do que como atendente na starbucks pra banca-la, então consegui em uma grande editora, mas trabalho mesmo em um pequeno selo de auto-ajuda. Já aconteceram alguns bolões pra ver quando o selo vai ser cortado, mas eu realmente espero que não porque eu não estou a fim de passar por "Se você fosse uma animal qual seria?" ou "Qual foi a decisão mais difícil que você já tomou?" de novo em frente há 3 avaliadores e 20 concorrentes pra 1 vaga. Caso eu esteja te deixando muito confuso, esse foi o primeiro emprego que eu arrumei em 2 meses.
E tudo estava indo bem.
Até Aldra Craig chegar. As pessoas levantaram o olhar das telas dos computadores pra ve-la entrar. Ela era cunhada do dono da editora e quando o marido faleceu a única coisa que sobrou pra ela foi ser a diretora daqui. Se ela estava feliz com isso? Bom, se eu tivesse um carro como o dela eu estaria muito feliz.
- Qual é a dificuldade desses elevadores? - ela reclamava. É que os elevadores só iam do 1º ao 5º (o que eu trabalhava) e do 5º ao 9º (onde ela trabalhava) - A Clarie tingiu o cabelo ou o que? - ela perguntou pra uma mulher ao lado olhando na minha direção.
- Não senhora. Ela se demitiu, esse é uma garota nova que ficou com a mesa dela.
- Melhor assim, se ela não o fizesse eu faria.
A porta do elevador se abriu e antes de se fechar Aldra a segurou.
- Você ai - ela chamou.
Mel me cutucou. Eu olhei pra ela com expressão de interrogação mas ela estava apontando com a cabeça para o elevador. Eu acompanhei.
- Enfim, daqui uma hora na minha sala - e a porta se fechou.

Uma hora depois, eu estava sentada em um sofá de couro marrom esperando. Até Amelie, a secretária de Aldra me deixar entrar.
Passei pra sala grande de Aldra. Não era enorme como as que eu já fui dos outros diretores mas mesmo assim, era iluminada demais e isso a fazia parecer maior.
- Então...Emma?
- Sim.
Ela se levantou e sorriu. Provavelmente era pra parecer um sorriso simpatico mas deixa pra lá.
- Acho que não nos conhecemos ainda. Fiquei sabendo que você ficou substituindo a Clarie, uma preguiçosa, espero que você não seja assim.
- Eu acho que não.
- Ótimo, porque eu gosto de conhecer bem meus funcionários e se você estiver disposta a me fazer alguns favores, eu ficaria grata. Posso inclusive pensar em atribuir mais alguma coisa ao seu salário.
- É que...
- Espero que isso seja um sim, mas vamos só fazer um teste. Que tal você ir até a sala de xerox e trazer algumas copias dessas apresentações? Eu preciso pra uma reunião em 30 minutos. Por favor, é que a Clarie era quase minha secretário e sem ela eu estou um pouco perdida.
- Tudo bem, eu posso tentar.
- É só por um tempo, já falei com o RH pra contratar um estagiário só pra isso.
- Certo - ela me entregou os papéis.
- E não se preocupe com as outras tarefas, vou dividi-las entre as outras funcionarias por hoje.
- Tudo bem - respondi saindo da sala.
Pensando pelo lado otimista da coisa, eu iria fazer o trabalho de uma estagiária e ganhar como efetiva? É isso não parecia tão mal. Eu não era a maior fã de tirar xerox e essas coisas mas era melhor do que cuidar da parte administrativa pelo menos por uma semana. E com menos trabalho, eu poderia ter mais tempo pra pensar na minha apresentação pro pessoal do marketing e tentar ir pro editorial dos livros.

Eu nunca tinha ido ao quarto andar. Era a area de T.I. Eu achava interessante, mas não boa o suficiente pra ela. E não tinha nada do estereótipo nerds e computadores. A maioria dos funcionários eram homens, mas nada além disso.
Uma das poucas meninas me indicou a sala de xerox, era uma porta que aparentemente levava pra uma pequena sala.
Eu abri a porta com força e derrubei alguma coisa.
Ok, talvez menor do que eu imaginava.
- Tod se for você de novo, bate na droga da porta!
- Eu... me desculpa.
- Você não é o Tod.
- Acho que não - eu ri.
- É, claro que não - era mais um homem, ele se levantou de algumas caixas e ajeitou a blusa. Ele tinha no máximo 25 anos - Essa porta é uma droga mesmo. Mas posso ajudar? Você tá perdida? É nova aqui?
- Não. Eu trabalho na Administração e tenho que tirar umas cópias pra Aldra.
- Achei que tivessem estagiarios pra fazer o trabalho sujo. Geralmente a Clarie quem vem.
- Pois é, parece que eu virei a substituta dela.
- Bom, se orgulhe, ela foi forte. Quer que eu tire?
- Por favor. Eu não tenho certeza de como fazer isso.
- É só olhar que você aprende.
- Hm, por que forte? - perguntei, ele me olhou com a sobrancelha levantada - Clarie.
- Ah, bom, ela durou três meses. Acho que foi um recorde.
- Acho que fiz uma mal negocio.
- Provavelmente.
- Nossa, obrigado pelo apoio moral - brinquei.
- Desculpa, você quer que eu te iluda? - ele sorriu.
- Melhor não.
Então foi a vez da copiadora falar. Ou melhor fazer barulhos estranhos por uns 15 minutos, até o silencio constrangedor tomar a sala de 2m².
- Só isso? - ele perguntou.
- Acho que sim. Obrigada...
- Andrew.
- Emma - nós apertamos as mãos como bons colegas de trabalho - Bom, eu já vou.
- Ok.
Eu abri a porta enquanto ele tentava se afastar.
- Emma - ele chamou. Eu voltei pra sala - Você trabalha aqui desde quando?
- 1 mês e alguma coisa.
- E a gente nunca se viu? Mas, antes tarde do que nunca - e sorriu.
- É.
E praticamente corri pra fora da sala.

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If i had you
Percy nunca se sentiu tão culpado. A foto era de sua mãe mas o pequeno brilho no canto do jardim na janela do apartamento...não um brilho, um estranho tipo de flor. Como ele pôde esquecer? Não importa se a foto tivesse sido tirada de dia, ele prometeu que não iria esquecer o enlace lunar, não iria esquecer Ogygia, não iria esquecer Calypso.

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The consequence - 03
- As testemunhas disseram ouvir três disparos antes...
- Não - Connor interrompeu a leitura de Melissa e a garota e Andrew o olharam como se tivessem acabado de perceber que ele estava ali.
- Não o que? - perguntou Andrew.
Melissa abaixou o jornal e olhou pra porta ao ouvirem passos. Era quarta feira e eles estavam na sala do jornal abandonado da escola durante o intervalo pra ler o que os jornais diziam sobre o caso de Alice.
- Foram duas balas. Encontraram duas balas no corpo dela.
- Talvez tenham errado a terceira - Andrew argumentou - mas com isso, a gente pode considerar que não foi uma bala perdida, alguém queria acertar ela...
- Mas quem... - Melissa disse baixo.

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The consequence - 02
02.
Na segunda, três dias depois do fato Connor decidiu voltar a realidade. Era temporada de provas e trabalhos em sala e mesmo que ele não fosse tirar mais do que um C, não podiam falar que ele não tinha tentado. E além do mais, ele tinha prometido que melhoraria suas notas pra Alice, usa-la pra poder fugir das provas não era algo que ela aprovaria.

E como ele se arrependeu de ter saido da cama.
Todos os olhavam como se ele tivesse alguma doença rara e fosse morrer em alguns dias. Tudo bem que ele estava andando mais inclinado do que o normal, suas roupas ameaçadas e seus olhos fundos, mas pelo menos ele estava sóbrio. Por que ninguém apontava para os alunos que chegavam drogados em plena segunda ao invés de encara-lo?

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The consequence - 01
n/a 1: muitas coisas nessa história não fazem sentido, mesmo não sendo obrigada a fazer já que é uma história inventada, mas é bom deixar avisado.

01.
O carro parou cantando pneu na beira da estrada, Connor demorou um tempo pra lembrar onde tinha parado depois porque agora ele só conseguia ver luzes azuis e vermelhas girando.
Ele passou com dificuldade entre os populares e caiu de joelhos no circulo central. Ele deu um tapa na mão de um dos policiais que tentaram o impedir de se aproximar, o homem tentou argumentar mas nada que Connor fosse se lembrar porque o sangue zumbia em seu ouvido, ele só conseguiu pensar na criatura de curtos cabelos tingidos de vermelho e rosto mais palido do que o normal. Sua mão parecia brilhar de tão clara em contato com a blusa preta e o liquido quase da cor de seu cabelo que escorria de algum lugar entre sua costas e seu peito.
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